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"Não sou poeta!" disse-me a Ana Eugénio no dia em que a conheci. Uma afirmação quase seca, a afirmar uma convicção que não me atrevi a contrariar! Ainda só tinha lido duas ou três páginas do texto que agora têm aí para vosso desfrute e consolo. Depois acabei de o ler e continuei na minha - ela é poesia! Não é poeta quem quer, e sei-o por experiências próprias - vezes sem conta repetidas, e sempre desconseguidas - mas apenas quem tem a capacidade de reviver e transmitir as imagens felizes que lhe fazem a vida! É nesse devaneio de alma, sustentado pelo sentir e viver todas as pequenas coisas que enchem os dias, que nascem as imagens/essência da poesia. É por isso que continuo na minha - a Ana Eugénio é poesia! E quem ler esta "Sagração dos Dias" vai encontrar aquele devaneio, ou melhor, aquelas imagens que se guardam desde os tempos em que todos os dias eram felizes. E assim, nas primeiras páginas deste livro de uma Ana Eugénio "que não é poeta!", perpassam as imagens de uma infância em que o amor é inocência e é tranquilidade, e é os cheiros de uma casa de viverem todos. Casa que depois se transforma num lugar mágico, cheio pela chuva. Uma casa magia de silêncios solidários e plenos, de reencontros e celebrações, da quase violência dos abraços, mas sinal da plenitude da paz interior. Paz sem a qual não se pode habitar, nunca, a brisa do descanso à beira do mar, onde o ar nos desacelera na quietude da rebentação e no riso das crianças! Depois - e a meu ver a segunda parte deste livro - as palavras "fazem-nos" as imagens luminosas e simples de um piquenique, de um pintor de céus, de um homem tocador de sinos para ajudar o dia a nascer, e do desatino de um Outono a voar caminhos de sonhos, e sorrisos e esperança. E vivem lá, nesses caminhos, personagens outras e puras, como o Leonardo, o Clarêncio e a Clariana, o Miguel, o Eduardo, o Leopoldo e a Leolinda, a Mariana e o Daniel, sob o comando de um Capitão Felisbelo que aprendeu, das borboletas, as manhas de criar o vento! É claro, e é por isso ainda mais evidente, que não estamos aqui e que não gostamos da Ana Eugénio, da mesma maneira que também é claro e evidente que "ela não é poeta!".

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